29 outubro 2020

Dia Nacional do Livro - Homenagem de Catita Design em 29 de outubro

Minha homenagem em forma de prosa. Minhas memórias:

 Páginas do tempo

Acariciava as páginas como quem faz cafuné nos cabelos de quem se ama - era um momento ímpar de pura satisfação. Por falta de tempo e até de oportunidade, muita coisa fora deixada para trás, adiada até o momento oportuno e assim muito se perdeu com a espera - essa não haveria de passar.

Naquela tarde algo tinha mudado, um velho livro tinha sido descoberto dentro de um velho armário empoeirado - Ele não tinha mais capa, mas não se sabe se fora perdida em meio a tantas idas e vindas ou se realmente descartada com a intenção de despir os pudores ilusórios da vida.

Antes enfrentara tempos muito difíceis e por isso não tinha a menor intenção de convencer mais ninguém a nada - Ele só queria que o deixassem lá, em seu esconderijo, mas era tarde demais.

Houve um tempo em que era carregado na bolsa e até levado ao parque - adorava o vento trazendo o barulho das folhas balançando nas árvores. Uma vez fora passado de mão em mão, porque a dona havia esquecido ele no banco -  Viveu inúmeras aventuras, tantas que até se cansaria de contar, caso lhe perguntassem. Ele não era apenas um livro, era o livro de alguém que preferiu guardar e não jogar fora. 

Sentou-se na varanda da sua nova casa, já era entardecer - Os pássaros haviam se recolhido, mas os cães da vizinhança ainda pretendiam cumprimentar-se incansavelmente - Esperou até que o silêncio lhe reservasse algumas horas, para que então pudesse saber mais sobre o livro que segurava.

Cheirou, o aroma da naftalina fazia recordar-se de quando era criança e passava algumas tardes com sua madrinha -  adorava esses momentos. 

Sim, o livro era dela, um diário que mantinha guardado a sete chaves - Nele haviam sonhos, provavelmente muitos não concretizados, haviam projetos, expectativas e revelações.

Assim que sentiu os delicados dedos envolvendo o seu corpo já cansado ele suspirou - há tempos não sentia um afago assim. Embora emocionado, estava desconfiado, talvez estivesse apenas sonhando e esse sonho poderia de uma hora para outra virar um pesadelo. Foi quando sentiu o pulsar do coração -havia sido levado ao peito e chorou. Mal podia acreditar, ele a conhecia, conhecia a menina daquele pulsar - Era ela, tinha que ser !

Palavra alguma poderia descrever esse encontro - ainda não sabia, mas havia um capítulo inteiro sobre ela.


 

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